Ainda estou de férias de Natal. Só volto ao trabalho na quarta-feira. É que aqui as crianças recebem presentes no dia de reis (dia 5 acho) e dia 6 é feriado. Dia 7 começam as infernais promoçoes de inverno e as crianças nao vao pro colégio teoricamente, pra brincar mais com os joguinhos e bonequinhas e monstrinhos e maquininhas recém-ganhados. Bom, questoes culturais à parte, peguei um trem e fui trabalhar.
Ué, mas nao era feriado?! Sim, mas fui a um almoço de trabalho com uma amiga pra definir os projetos do trimestre que começa, isso mesmo, quarta-feira.
A tarde foi produtiva, decidimos um montao de coisas. Mas me dei conta de como trabalho. Sou agressiva, abro dez mil pestanhas de páginas, abro 50 documentos de texto. Só falo de trabalho. Editei 15 mini filmes de 2 minutos em 45 minutos num Ipad num dia que acordei, sem conseguir dormir de novo, às 4 da manha. Pra alguém que maneja bem as novas tecnologias isso pode parecer um número pífio, mas pra mim era a glória!
E sim, sempre penso em gastar o dinheiro que eu tento juntar durante o ano em umas férias "educativas", seja para aprender um idioma ou fazer um curso sobre dislexia na Inglaterra (meu sonho!). Sim, eu invisto meu dinheiro em cursos, livros sobre coisas do trabalho. Minha amiga Erika entende o drama dos meus livros de cabeceira: Crianças de altas capacidades, diagnóstico de aprendizagem e blá blá blá. Ou seja, os neurônios vao fritando, mas também me alimentam.
Agora vou falar da parte boa de tudo isso. A parte boa dos meus fins de semana vendo vídeos sobre dislexia é ver que a menininha entendeu o texto só porque você colocou uma folha de celofane azul sobre a página. Onde eu vi isso? No documentário. Freaky, eu sei! Mas eu adoro! E assim vou aprendendo várias técnicas.
Hoje, voltando do meu dia de trabalho com minha amiga que me acompanhava à estaçao de trem, ela levanta o tema:
- Keylla, você faz o quê quando nao está no trabalho?
- Deixa eu ver, terça nao conta que eu chego em casa às 10 da noite. Quinta também nao. Eu chego por volta das oito e meia.
- Bom, e segunda e quarta? Você chega em casa umas 6 da tarde. E faz o quê? Trabalha?!
- É... geralmente, trabalho até umas 9...
Silêncio. Ela se despede e me diz:
- Você é a pessoa mais trabalhadora que eu conheço, mas você tem que parar de se esconder no seu trabalho. Existe um mundo que você está deixando de habitar. Se cuida!
Fiquei pensando nisso. Alguma razao ela tem.
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