miércoles, 25 de junio de 2014

O mundo anda tao complicado...

Li nao sei aonde que as pessoas demoram a metade do tempo que ficaram com uma pessoa para se recuperarem da perda dessa pessoa. Muito bem. Eu entendi direitinho. Mas, segundo os meus cálculos, se minha última relaçao durou 3 anos, com um ano e meio eu já deveria estar linda, de maozinha dada e soprando beijinho com a maozinha no queixo, né? Só que nao. E nao foi só culpa da minha chatice. Vamos aos fatos. Primeiro que eu tive que buscar um teto e montar uma casa. Nao foi fácil. Ter que comprar uma rádio porque você sente falta de voz humana é muito triste. Quase chorei quando comprei a televisao que vim arrastando por 20 minutos e subi quatro andares e montei e instalei.

Segundo, tinha acabado de começar no trabalho novo e me meti em cheio. Nao parei de trabalhar um dia sequer. Adoeci muito. Estômago de dieta alimentar rigorosa. Contratura nas costas. 2 meses sem colocar o pé na academia... Operaçao biquini uó!

Terceiro, tem muita gente doida no mundo. E muito sacana também. Muita gente mentirosa. Mas muita gente só. Entrei no mundo online. Devo confessar: toda uma fauna! Espécimens extintos perambulam por alí. Alerta! Quer entrar, entra! Você sempre vai ouvir alguém dizer: "comigo nao funciona, mas conheço um amigo de uma amiga do meu tio que conheceu alguém e casou e vive super feliz". Essa nao vai ser você. Sabe porquê? Porque vai ver, você já fez a sua listinha de "coisas que ele nao deve ter" e você só vai prestar atençao nelas. Porque você também está louca e/ou sozinha e queria companhia pra tomar um café ou um choppe no fim do trabalho. Sem pagar, claro. 

E aí você conhece figuras nativas com um Espanhol bem pior que o seu, mas com o coraçao no lugar. Riscado da lista. Nao me imaginava vendendo verduras num "pueblo" perdido na montanha (o plano era dele!). Outro que só liga na quinta-feira. Nao sei porque era isso, mas só ligava na quinta. Riscado da lista. 

E depois disso, eu fico me perguntando se eu estou fazendo algo errado aqui?

jueves, 27 de marzo de 2014

A enxaqueca de quarta-feira.

Acordei no meio de um pesadelo na quarta de manha. Uma merda de pesadelo. Geralmente eu nao lembro de nada. Caio na cama como uma pedra. Acordo na mesma posiçao. Mas a quarta-feira de manha foi complicada. Sonhei com Mark. Tenho que falar disso. Tem mais de um ano e parece que foi ontem. É como se fosse um buraco enorme coberto por uma capa bem fininha de folhas. E aí, cada vez que Mark sai do escuro do meu subconsciente, eu caio de vez nesse buraco tao fundo. E me dou conta do tamanho do buraco que eu tô levando dentro de mim faz mais de um ano. 

Me dou conta de todos os defeitos que sempre "todos" tinham. Sem trabalho, com trabalho. Sem idiomas, com idiomas. Com  vários níveis culturais e educativos.... e blá blá blá. 

Vejo que meu trabalho é meu esconderijo. Passo horas alí. Senti uma contratura nas costas faz 2 meses. Hospital, cadeira de roda, uma semana sem trabalhar, estirada na cama com uma montanha de antiinflamatório. Justamente na semana que eu tinha me matriculado na academia de novo e decidido voltar à correr. Foi difícil. Fiquei super triste. 

Mas voltamos à quarta - feira.  O sonho! Isso, o sonho...

Pois é, eu sonhei que deitada numa especie de sofá e ouvia a voz do Mark detrás de mim. Nisso eu levantava a cabeça e ele tava ali. E falava alguma coisa que eu nao ouvia. E aí, ele diz: "I still love you." E eu, de testa franzida, sem entender: "Do you still love me a year later?". "Yeah, but I'll sort that out." E o despertador me acordou. Sem ar. Sem chao. Sem peito. E isso me perseguiu o dia inteiro.

É uma merda.

viernes, 21 de febrero de 2014

Minha dor nas costas

Faz um ano que eu tenho uma dorzinha incômoda nas costas. Ela ia e vinha. De 3 meses pra cá ela veio e nao me abandonou. 

Domingo à tarde, resolvi ir ao centro de urgências pra que eles me dessem uma injeçao ou alguma coisa que me deixasse levantar sem derramar lágrimas toda vez que eu precisasse levantar do sanitário. Bom, injeçao no bum bum - diazepan e nolotil. 

Segunda-feira, saio do trabalho como um Saci e vou direto pra urgências de novo. Outra injeçao. Outra exposiçao grátis das minhas nádegas trabalhadas a body-pump pra uma pessoa de branco e desonhecida. 

Terça-feira fiquei, literalmente, travada na cama! Nao conseguia me mexer! Horror!

( Abro parênteses pra um detalhe meio louco meu. Sempre tenho muito cuidado quando tomo banho. Nunca deixo nada derrapante por perto e sempre enxugo o banheiro depois que tomo banho. Sempre penso que, se escorregar no banheiro e morrer ou desmaiar, só vao me achar pelo cheiro de podre ou porque tao sentindo na minha falta no trabalho. É triste? É! É exagerado? Também! )

Bom, fui trabalhar quarta-feira. Doía, mas travei o maxilar e fui! 

Ontem.... Bom, ontem foi outra história. Dei todas as aulas do dia, mas lá pelas 2 da tarde as costas começaram a doer. Uma hora de pé, fazendo monitoria de pátio me passaram fatura. 

Última aula do dia, sento pra colocar um CD pra fazer um listening e quem viu a Miss Keylla conseguir levantar? Tive que pedir a um aluno pra entregar uma nota ao meu companheiro de trabalho que estava na minha sala, com meus aluninhos!

A nota era:

"Por favor, você podia se despedir dos meus alunos por mim? Eu tô travada na sua cadeira. Vem me ajudar, por favor!"

O coitado desceu, sem saber se ria da cena ou se ficava com pena. A diretora, que também é médica (Oi?) e sempre se sai com ditados Mister Miaguianos, vem pra sala me ver - enquanto isso, eu tava chorando e prendendo a respiraçao pra ver se a dor diminuía - com uma maquininha que era uma mistura de eletroacupuntura. Bom, tive que baixar as calças pq os "`pontos vitais da aplicaçao eram pernas e pés". E aí veio o constrangimento, a sua chefe, baixando os seus jeans porque você nao pode se mexer e daí ela vê aquela perna de inverno, sem depilar. Pior? Ela pedir pra tirar as botas. Detalhe: sempre coloco meia calça embaixo dos jeans por causa do frio. Resultado: um chulé que dura todos os meses de inverno. E eu pensando: Ave maria, essa vai ficar pensando que eu sou uma porca!

Bom, entro no taxi. Vou pra emergência, o enfermeiro veio me buscar no táxi de cadeira de roda. Ainda bem que tem taxista bonzinho no mundo, que se oferece pra abrir porta, chamar enfermeiro e te ajudar. Outra injeçao nuclear no bumbum.

Vim pra casa. Fui no hospital de novo hoje. Licença médica até quarta-feira. Uff!!!!

viernes, 3 de enero de 2014

O lugar onde eu me escondo.

Ainda estou de férias de Natal. Só volto ao trabalho na quarta-feira. É que aqui as crianças recebem presentes no dia de reis (dia 5 acho) e dia 6 é feriado. Dia 7 começam as infernais promoçoes de inverno e as crianças nao vao pro colégio teoricamente, pra brincar mais com os joguinhos e bonequinhas e monstrinhos e maquininhas recém-ganhados. Bom, questoes culturais à parte, peguei um trem e fui trabalhar.

Ué, mas nao era feriado?! Sim, mas fui a um almoço de trabalho com uma amiga pra definir os projetos do trimestre que começa, isso mesmo, quarta-feira. 

A tarde foi produtiva, decidimos um montao de coisas. Mas me dei conta de como trabalho. Sou agressiva, abro dez mil pestanhas de páginas, abro 50 documentos de texto. Só falo de trabalho. Editei 15 mini filmes de 2 minutos em 45 minutos num Ipad num dia que acordei, sem conseguir dormir de novo, às 4 da manha. Pra alguém que maneja bem as novas tecnologias isso pode parecer um número pífio, mas pra mim era a glória!


E sim, sempre penso em gastar o dinheiro que eu tento juntar durante o ano em umas férias "educativas", seja para aprender um idioma ou fazer um curso sobre dislexia na Inglaterra (meu sonho!). Sim, eu invisto meu dinheiro em cursos, livros sobre coisas do trabalho. Minha amiga Erika entende o drama dos meus livros de cabeceira: Crianças de altas capacidades, diagnóstico de aprendizagem e blá blá blá. Ou seja, os neurônios vao fritando, mas também me alimentam.

Agora vou falar da parte boa de tudo isso. A parte boa dos meus fins de semana vendo vídeos sobre dislexia é ver que a menininha entendeu o texto só porque você colocou uma folha de celofane azul sobre a página. Onde eu vi isso? No documentário. Freaky, eu sei! Mas eu adoro! E assim vou aprendendo várias técnicas. 

Hoje, voltando do meu dia de trabalho com minha amiga que me acompanhava à estaçao de trem, ela levanta o tema:

- Keylla, você faz o quê quando nao está no trabalho?
- Deixa eu ver, terça nao conta que eu chego em casa às 10 da noite. Quinta também nao. Eu chego por volta das oito e meia.
- Bom, e segunda e quarta? Você chega em casa umas 6 da tarde. E faz o quê? Trabalha?!
- É... geralmente, trabalho até umas 9...

Silêncio. Ela se despede e me diz:

- Você é a pessoa mais trabalhadora que eu conheço, mas você tem que parar de se esconder no seu trabalho. Existe um mundo que você está deixando de habitar. Se cuida!

Fiquei pensando nisso. Alguma razao ela tem.